quinta-feira, 29 de abril de 2010

Feto de 22 semanas sobrevive 24 horas após aborto na Itália

Fiquei estarrecida ao ler esta notícia. Leis devem ser cumpridas, mas quando a aplicação de uma lei custa uma VIDA, eu entendo que o socorro é prioridade, principalmente, quando, após um aborto, o bebê sobreviveu ainda por 24 HORAS.  A notícia da BBC Brasil foi publicada na Folha Online de hoje.

Leia no blog ou clique no link para ler a publicação.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u727648.shtml

29/04/2010 - 11h39

Feto de 22 semanas sobrevive 24 horas após aborto na Itália

da BBC Brasil

Os médicos de um hospital de Rossano Calabro, uma cidade no sul da Itália, foram acusados de não prestar socorro a um feto que sobreviveu por mais de 24 horas depois de ter sido abortado por uma paciente.

O caso teve grande repercussão na Itália, onde grupos católicos reivindicam mudanças na lei que legaliza o aborto.

A interrupção da primeira gravidez de uma mulher, cujo nome foi mantido sob sigilo, aconteceu no hospital Nicola Giannatasio, na noite de 24 de abril. Segundo informações do próprio hospital, a paciente decidiu abortar após ver o resultado da última ecografia, que teria indicado má-formação feto.

No dia seguinte, um domingo, o sacerdote do hospital, dom Antonio Martello, foi avisado por um funcionário de que o feto ainda apresentava sinais de vida.

O feto então foi transferido para a unidade de tratamento intensivo neo-natal de outro hospital, na cidade próxima de Cosenza, mas acabou morrendo na madrugada de domingo para segunda-feira.

A Procuradoria da República de Rossano Calabro abriu um inquérito por "homicídio voluntário" para apurar se houve violação da lei por abandono terapêutico do feto no hospital de Rossano Calabro. De acordo com as autoridades judiciárias, a morte deveria ter sido confirmada após a interrupção da gravidez.

"A hipótese investigativa é de homicídio voluntário, porque não podemos excluir que houve dolo ou indiferença em relação à possibilidade de sobrevivência, com omissão de terapia de recuperação", afirmou o procurador Leonardo De Castris.

Negligência

Segundo a Cúria da cidade, os médicos foram negligentes e omitiram socorro ao feto que ainda estava vivo.

"Houve uma arbitrária superficialidade de médicos e autoridades hospitalares ao omitirem qualquer tipo de tratamento e reanimação da criança que, apesar disso, sobreviveu autonomamente", diz um comunicado da Cúria.

A lei italiana autoriza o aborto nas primeiras 22 semanas nos casos em que a gravidez representa risco à saúde psicológica e física da mãe e quando há diagnóstico de má-formação do feto.

Depois desse período, a gravidez só pode ser interrompida, se a vida da mãe correr perigo ou se houver grave má-formação do feto. As normas também garantem terapia de apoio à respiração, mas apenas aos fetos nascidos a partir de 23 semanas, quando a chance de sobrevivência è maior.

Revisão

O caso provocou discussão na Itália, onde grupos católicos com o apoio da Igreja pedem a revisão da lei de 1978 que autoriza o aborto.

"O médico não deve olhar a data, mas o feto. Se após um aborto ele permanece vivo, é obrigatório fazer com que continue vivendo. Uma pessoa, que já esta fora do útero da mãe, demonstra vitalidade, deve ser socorrida", disse Monsenhor Elio Sgreccia, presidente emérito da Pontifica Academia para a Vida, ao comentar o caso.

Um das mudanças que os grupos católicos reivindicam é a antecipação do que se considera o período de sobrevivência do feto.

Segundo o jornal oficial da Santa Sé, o Osservatore Romano, há possibilidade de sobrevivência mesmo antes de 22 semanas de gestação, mas a lei não prevê assistência ao feto nesses casos.

"A lei italiana proíbe o aborto quando existe uma possibilidade do feto sobreviver, isto é, depois de 22 semanas de gestação. Mas se ele nascer antes, não quer dizer que nascerá morto, ao contrário, sente dor (a partir da 20ª semana) e faz pequenos movimentos. Não é possível fazer de conta que não se sabe disso", diz o artigo publicado pelo jornal do Vaticano.

O diário da Santa Sé reivindica direitos para todos os recém-nascidos.

"Se não for possível reanimá-lo, por ser pequeno demais, que ao menos tenha um ambiente quente e digno, uma companhia humana, um nome e uma sepultura, como qualquer outra pessoa prestes a morrer."

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Mulheres Possíveis", de Martha Medeiros

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!


E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.

Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Martha Medeiros
Jornalista e escritora
Colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro

(Foto:cred. Divulgação)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Até breve, "Menina"

“Menina”, “Pequena”, sapeca. Ela sempre foi tão sapeca que durante toda a sua vida carinhosamente eu e toda minha família, também família dela, a chamávamos de “Menina” ou “Pequena”. Ela já era uma senhora de 11 anos, mas essa gatinha matreira parecia ter, no máximo, 2 anos.

Menina, meu bebê, gostava de beber água da torneira, água corrente e tinha que ser na mão, não adiantava abrir a torneira e deixá-la se virar. E como bebia água a danadinha. Sabe se lá como ela descobriu que muito além do que ela alcançava havia água corrente.

A Menina, ao contrário da maioria dos gatos, quase não dormia. Ela estava sempre ligada. Eu dizia: “Pequena, esses olhinhos espertos a essa hora, bebê”. E ela me olhava como se entendesse e miava, “conversando”. É, ela conversava, ronronando ou resmungando. “Menina” tinha lá o seu vocabulário para falar com o bicho pensante, nós, que pouco entendíamos o que aquela adorável criaturinha dizia.

Nos últimos dias aqueles olhinhos espertos deram lugar a um olhar quase inerte. Durante pouco mais de uma semana, acompanhei os últimos dias do meu bichinho amado. Dei remédio, fiz imposição das mãos, brinquei, acolhi, acariciei, dediquei todo o meu amor por ela, fazendo com que ela sentisse que eu estava ali. Na sua última noite em vida, Menina dormiu na minha cama, onde eu a abracei, como se dessa forma, eu pudesse, de alguma forma aliviar a sua dor que eu não podia ver ou até mesmo CURÁ-LA.

Hoje de manhã, levamos Menina ao médico. Ela parecia melhor, mais esperta, com os olhinhos matreiros mais espertos. Ela tomou soro, foi medicada. Durante todo o tempo eu permaneci ao seu lado, acarinhando seu pêlo. Voltamos para casa, e pouco tempo depois, cerca de meia hora, aqueles olhinhos que eu tanto amava haviam morrido.

Durante uns poucos segundos eu não acreditava que havíamos perdido a batalha para a doença dela. Eu não chorava naquele instante, em choque, peguei meu bichinho e corri para o veterinário. No caminho, comecei a lembrar da Menina viva e saudável até dez dias atrás. Aí não deu, desabei a chorar. Choro ainda e vou chorar por algum tempo até que a saudade se transforme em conforto porque o sofrimento do meu bichinho acabou.

Menina morreu aos 11 anos de idade, no dia 12 de abril de 2010, por volta das 12h30. Meu bebê nasceu na madrugada do dia 26 de dezembro de 1998.

Até breve, meu bebê! Até breve!