“Menina”, “Pequena”, sapeca. Ela sempre foi tão sapeca que durante toda a sua vida carinhosamente eu e toda minha família, também família dela, a chamávamos de “Menina” ou “Pequena”. Ela já era uma senhora de 11 anos, mas essa gatinha matreira parecia ter, no máximo, 2 anos.
Menina, meu bebê, gostava de beber água da torneira, água corrente e tinha que ser na mão, não adiantava abrir a torneira e deixá-la se virar. E como bebia água a danadinha. Sabe se lá como ela descobriu que muito além do que ela alcançava havia água corrente.
A Menina, ao contrário da maioria dos gatos, quase não dormia. Ela estava sempre ligada. Eu dizia: “Pequena, esses olhinhos espertos a essa hora, bebê”. E ela me olhava como se entendesse e miava, “conversando”. É, ela conversava, ronronando ou resmungando. “Menina” tinha lá o seu vocabulário para falar com o bicho pensante, nós, que pouco entendíamos o que aquela adorável criaturinha dizia.
Nos últimos dias aqueles olhinhos espertos deram lugar a um olhar quase inerte. Durante pouco mais de uma semana, acompanhei os últimos dias do meu bichinho amado. Dei remédio, fiz imposição das mãos, brinquei, acolhi, acariciei, dediquei todo o meu amor por ela, fazendo com que ela sentisse que eu estava ali. Na sua última noite em vida, Menina dormiu na minha cama, onde eu a abracei, como se dessa forma, eu pudesse, de alguma forma aliviar a sua dor que eu não podia ver ou até mesmo CURÁ-LA.
Hoje de manhã, levamos Menina ao médico. Ela parecia melhor, mais esperta, com os olhinhos matreiros mais espertos. Ela tomou soro, foi medicada. Durante todo o tempo eu permaneci ao seu lado, acarinhando seu pêlo. Voltamos para casa, e pouco tempo depois, cerca de meia hora, aqueles olhinhos que eu tanto amava haviam morrido.
Durante uns poucos segundos eu não acreditava que havíamos perdido a batalha para a doença dela. Eu não chorava naquele instante, em choque, peguei meu bichinho e corri para o veterinário. No caminho, comecei a lembrar da Menina viva e saudável até dez dias atrás. Aí não deu, desabei a chorar. Choro ainda e vou chorar por algum tempo até que a saudade se transforme em conforto porque o sofrimento do meu bichinho acabou.
Menina morreu aos 11 anos de idade, no dia 12 de abril de 2010, por volta das 12h30. Meu bebê nasceu na madrugada do dia 26 de dezembro de 1998.
Até breve, meu bebê! Até breve!